segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Contribuição do Setor Turismo Para Formação da Renda Nacional

Contribuição do Setor Turismo Para a Formação da Renda Nacional

Para se entender a formação da Renda Nacional é necessário entender com se forma o produto. O produto nacional corresponde ao valor monetário dos bens e serviços finais produzidos por uma economia em determinado período de tempo. Pode-se extrapolar esse conceito para o turismo. Neste caso a renda ou o produto turístico decorre do total de tudo que foi produzido e vendido no segmento turístico em determinado período de tempo.

Essa produção e venda estão subordinadas à capacidade produtiva do setor, ou seja, ao tamanho do setor turístico no Brasil e o grau de utilização dessa capacidade. Assim o nível de renda/produto irá depender dessas duas variáveis.

A capacidade produtiva determina o produto potencial do setor, ou seja, o máximo que o setor pode produzir. Mas, esse máximo vai depender do estoque de fatores de produção (hotéis, posadas, restaurantes, meios de transportes, etc), como também do nível ou da modernidade dessa estrutura.

No setor turístico merece ser destacado, fase seu nível de integração com o resto da economia, que, além dos investimentos em equipamentos diretamente voltados ao setor, haja investimentos infra-estruturais, privilegiando, especialmente, as localidades que apresentem potencialidades turísticas, investimentos de apoio à cultura, ao esporte, em saúde pública, em fim, em toda atividade que faz interface com o turismo.

Portanto, o crescimento do produto/renda do setor turístico dependerá entre outros fatores de:

  • do número e modernidade dos equipamentos turísticos;
  • do número e treinamento da mão- de- obra diretamente ligada ao setor;
  • da qualidade da infra-estrutura de apoio;
  • das atrações turísticas existentes;
  • divulgação.
Uma função de produção de produção do setor turístico deve envolver os estoques de todas essas variáveis. Para se afirmar que o setor está sobre sua função de produção, é necessário que todas as variáveis que matem um relação de funcionalidade com o setor estejam sendo plenamente utilizadas. Neste ponto pode se afirmar que o setor estar em sua capacidade máxima de produção, sendo impossível aumentar o nível de produção sem sacrifício da qualidade. Qualquer aumento a partir desse ponto só pode ser conseguido elevando o nível de investimento no setor.



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Do Crescimento Forçado à Crise da Dívida

O CRESCIMENTO FORÇADO Á CRISE DA DIVIDA
(Estudo)
Prof. José Amado
Conjuntura Internacional (1970/80)

. Primeira Crise do Petróleo
. Rompimento do Acordo de Bretton Woods (estabilização das taxas de câmbio internacional)
. Moratória Mexicana.

    Considerações Gerais:

A economia brasileira que ainda vivia o chamado milagre econômico achava-se, em uma situação de pleno emprego. Mas, conjuntura internacional, com a moratória do México e a crise do petróleo, desfavorecia a manutenção do ritmo de crescimento. O primeiro reflexo interno dessa situação foi à aceleração da inflação que saiu de um patamar de 15% no final de l973, para alcançar 40% em meados da década.

Por outro lado, as contas internacionais brasileiras começaram a apresentar debilidade. O Balanço de Pagamento registrava déficits, decorrentes não apenas do alto custo da importação de petróleo, mas também devido ao pagamento da compra de bens de capital importados e que garantiram o ritmo de crescimento da época do milagre. Esse déficit foi em parte coberto com a queima de reservas nacionais, elevando a vulnerabilidade da economia.

     Situação Interna

O milagre econômico começava a fazer água e, existia um movimento popular que reclamava uma melhor distribuição dos ganhos econômicos do período do milagre. Ascendia ao governo uma corrente militar mais moderada (castelista) com o General Geisel, que tinha propósitos de uma abertura política segura e gradual. A manutenção dessa nova linha no poder iria exigir uma prática de política econômica que pelo menos mantivesse os ganhos não obtidos no governo anterior.

Mas, a manutenção do mesmo nível crescimento econômico da época do milagre, com uma situação adversa da conjuntura internacional era, na realidade, impossível. Manter o mesmo nível de investimento exigiria o estabelecimento de uma política cambial que favoreceria a transferência de recursos reais da economia nacional para o exterior e, com o baixo nível das reservas internacionais, isso, significaria, impor um sacrifício insuportável ao consumo interno. Impossível seria, portanto, continuar com ao mesmo ritmo de investimento e, qual a opção adotada: a desaceleração da expansão econômica.
Era Ministro da Fazenda, à época, Mário Henrique Simonsen, a política desenhada por ele foi ao do ajustamento da demanda agregada, através da liquidez. Mas não foi possível implementá-la, entre outras razões, pela quebra do Banco Halles o que elevou à procura por liquidez.

Politicamente, o país vivia momentos de questionamentos sobre o regime militar tendo, no MDB – Movimento Democrata Brasileiro o instrumento popular desse questionamento. A insatisfação popular impôs uma fragorosa derrota ao partindo do regime militar a Aliança Renovadora Nacional – ARENA nas eleições para o Congresso Nacional. Essa reação popular fez ao governo abandonar, de vez, a política econômica de conter a demanda, vindo a optar pela continuidade do crescimento econômico, lançando o II Plano de Nacional de Desenvolvimento – II PND (fins de l974).

Com o novo plano, o ajuste seria feito pelo lado da oferta, buscando alterar, no longo prazo, a estrutura produtiva do país, de forma a diminui a dependência da importação e aumentar a capacidade de exportação. Essa política seria implementada através de financiamento externo, que à época, apresentava-se abundante com inchamento dos petrodólares.

As metas eram bastante ambiciosas. A expectativa era a de reduzir de 52% para 40% as importações de bens de capital e ainda exportar US$ 200.000.000,00. Quanto aos insumos básicos as metas também não foram modestas: previa-se aumentar a produção de aço de 7 milhões de toneladas em 1974, para l8 milhões em 1980; triplicar a produção de alumínio, elevar a produção de zinco de 15 mil toneladas para 100 mil, etc.

Pelo nível de investimento exigido nessas atividades, fica evidente, que só o Estado poderia bancar tamanha empreitada e o fez, tornando-se Estado-empresário. A expectativa era a de que o setor privado seria estimulado, pela elevação da demanda derivada a investir na produção de bens de capital.

O apoio político e econômico necessário para sustentar o programa foi buscado nas oligarquias, no capital financeiro nacional, nas empreiteiras e, para isso promoveu uma aliança que ensejou o chamado pacote de abril de 1977 (alterou a representatividade no Congresso em favor do Nordeste, região do país onde a ARENA dominava). Com essa aliança o apoio política estava resolvido. Restava o apoio financeiro.

O apoio financeiro foi buscado do exterior via empresas públicas. As empresas públicas foram incentivadas a fazer empréstimos no mercado internacional. Essa situação favorecia a cobertura das perdas de divisas e, o setor privado envolvido no projeto, foi beneficiado com financiamentos das instituições oficiais. Com essa forma de financiamento o governo estatizou a divida externa.

Como já foi destacado, havia facilidades de financiamento externos em função de excesso de liquidez do sistema financeiro internacional face aos ganhos extraordinários com a venda de petróleo (petrodólares). Merece ser destacado, que esses empréstimos eram tomados com taxas de juros flutuantes, ou seja, qualquer variação ascendente dos juros criaria dificuldades para a futura da economia nacional, como de fato criou.

Bibliografia:
Gremaud, Amaury Patrick - Economia Brasileira Contemporânea
Singer, Paul – A Crise do “Milagre”

Da Globalização de Mercado à Globalização de Riqueza

Da Globalização de Mercado à Globalização da Riqueza
(Uma provocação para discussão em sala de aula)
Prof. José Amado

Analisando as crises que sacudiram a economia mundial, vamos constatar que foram decorrentes de desequilíbrios entre a economia real e a economia monetária, que pode ocorrer por dinheiro demais produtos de menos ou produtos demais dinheiro de menos. O que se tem constatado, entretanto, e que as grandes crises ocorreram, exatamente, pela última razão; retração na demanda agregada, ou seja, redução da procura por bens e serviços por parte das famílias e, neste caso, a solução é simples, adota-se medidas que elevem a demanda agregada. A cartilha econômica indica neste caso, o uso de politica monetária e/ou politica fiscal. Por politica monetária entende-se emissão de moeda, redução do compulsório bancário, recompra de títulos públicos, redução da taxa de redesconto bancário ou ainda redução da taxa de juros ou mesmo uma política de crédito mais flexível e por politica fiscal entende-se a elevação do gasto de governo ou a redução na carga tributária. Esses são os instrumentos clássicos para alavancar a demanda.

E por quê, em se conhecendo o remédio, se permite que a economia descambe para a recessão? Ocorre que são medidas cuja a eficácia esta diretamente relacionada com a antecedência de sua adoção e que devem ser implementadas aos primeiros sintomas, antes que os agentes econômicos, numa atitude de preservação, retraiam-se parcimoniosamente recrudescendo o quadro. Os compêndios de economia chama essa retração de “paradoxo da parcimônia” explicando quando a poupança é prejudicial à economia. Um exemplo tipico desse paradoxo é a economia japonesa que, anda hoje, amarga uma crise que se iniciou em meados dos anos 70, após um espantoso crescimento que durou mais de 20 anos. A depressão é isso: instalado o quadro depressivo, o esforço de recuperação deixa de ser meramente econômico para ser também psicológico. É preciso que os agentes econômicos voltem a acreditar que a economia está recuperada e que voltou a crescer. Quando uma economia encontra-se nesta encruzilhada, até uma vigiada inflação é um instrumento válido para desentesourar o dinheiro (ninguém guarda dinheiro sabendo que ele vai perder poder de compra).

Mas, pode ocorrer que se aplique todo o arsenal acadêmico anti - recessivo e a economia insista em não responder, evidenciando um quadro de falência de confiança dos agentes econômicos conhecido por “armadilha da liquidez”, que vem a ser, grosseiramente, dinheiro demais no sistema, mas que, nem assim, os agentes econômicos animam-se a gastar. Vamos buscar também no Japão o exemplo para esse cenário. O Japão passou a conviver com essa realidade a partir de meados dos anos 70 e, anda hoje, não se recuperou totalmente. Esse é um quadro típico de economias maduras, de baixo cresci memento demográfico, população envelhecida, demandas sociais satisfeitas.

Dificilmente isto ocorreria numa economia de países emergentes, a exemplo do Brasil. Nestas economias a estrutura produtiva não possui escala suficiente para atender a demanda interna e medidas anti-recessivas em doses elevadas pode resultar em um quadro inflacionário. Logo dificilmente haverá um quadro de “armadilha de liquidez”. São países de população jovem, com parcelas significativas da população fora do mercado, carentes de infra-estrutura etc. Mas, mesmo países com estas características, podem apresentar quandro recessivo; O Brasil na década de 80. É isso se pode dar, por uma política rigorosa de combate a inflação: controle de crédito, arrocho salarial, alta taxa de juros, busca de equilíbrio fiscal, etc.
Explicitados estes conceitos, façamos, com propósito meramente especulativo, o seguinte questionamento: ora, sendo as grandes depressões da economia capitalista decorrentes de retração da demanda agregada, ou seja, mais oferta que demanda que, por princípio, deveria provocar uma redução nos preços promovendo o equilíbrio de mercado num patamar de preços mais reduzido, mas que, contrariando a teoria, não é exatamente o que ocorre, sendo a correção feita através de uma decisão exógena de aumento da liquidez, ou seja, de uma política expansionista do governo, que, em ultima análise siginifica, mais dinheiro nas mãos das famílias, o que pode ser obtido, inclusive, com a emissão de moeda que, quando na medida certa, não expõe a economia ao risco de inflação. Mas, considerando ainda, que a retração de demanda ocorre, nessas situações, por uma decisão, não induzida, das famílias, pressupõe que elas estejam confortáveis, liberando, sem sacrifícios, o excedente da produção.

Sendo, os grandes problemas das economias em depressão que tem por causa a retração na demanda agregada, a manutenção interna do nível de emprego e da renda, isto nos leva a supor, ser possível contornar, em parte, pelo menos, para o grande segmento da indústria de bens de consumo corrente, a colocação do excedente no mercado externo, especialmente, para regiões carentes e que apresentem populações com baixo nível de bem-estar e até déficit de colorias. Isso é possível desde que se adote uma política cambial inteligente, subsidiando as exportações à países com elevado grau de pobreza procedendo-se, assim, uma globalizada distribuição de riqueza, com a vantagem de se manter internamente o nível de emprego e da renda.